segunda-feira, 25 de março de 2013

Histórias de nossa região - Fazenda Tamoio

 Cana de Açucar transportada em vagões

Em 1909, foi aberto na linha da Paulista, logo após a estação de Ibaté, um posto telegráfico de nome Tamoio. Em 1922, com o aumento de bitola da linha de métrica para larga (1,60 m), um novo prédio foi construído para a nova linha, com o mesmo nome e status de estação. Uma vila ferroviária se desenvolveu junto à estação, com armazéns, lojas, correio e escola.

 Sabe-se que em 1929 de lá já partia a ferrovia, pertencente à Usina Refinadora Paulista (Usina Tamoio), com 30 km e bitola métrica e que ia até a fazenda e usina Tamoio, transportando açúcar e derivados. Nessa época, a fazenda já pertencia à família Morganti, que também eram donos da usina Monte Alegre, em Piracicaba, SP, e, nos anos 1950, da fazenda Guatapará, comprada da família Prado. A fazenda Tamoio tinha várias seções, como a Santa Elza, esta junto à estação de Tamoio; a Central, a uns 8 km afastada da rodovia, onde ficava a casa-sede (já demolida), o campo de futebol, o clube e a igreja; a Bela Vista, mais longe, invadida por sem-terras; e a Andes.

A ferrovia particular da fazenda, de bitola métrica, não transportava passageiros nem funcionários (que utilizavam as jardineiras para transporte interno), mas apenas cargas e tinha pelo menos duas linhas, uma, a linha da Bela Vista e outra, a linha da estação, que seguia para o armazém à beira da estação da Cia. Paulista. Bruno Valala trabalhou como maquinista da locomotiva nº. 9; Sebastião Correia, da número 14. Hoje, a usina Tamoio ainda existe e funciona, mas os Morganti a venderam em 1969 para a família Silva Gordo, que depois a venderam para a Corona. Segundo visitantes recentes da usina, dos prédios antigos quase nada existe mais.

 Na vila ferroviária, distante da usina, o que sobrou está em total abandono. Apenas a linha da antiga CP, hoje sob concessão da ALL, continua lá, a ferrovia particular não existe mais há pelo menos trinta anos e os trilhos foram arrancados junto com os desvios da estação. A vila ferroviária pode ser vista da rodovia Washington Luiz, ficando num ponto em que o leito da linha passa bem junto à estrada (cerca de 300 metros), acompanhando-a pelo seu lado oeste. 

 A Usina Tamoio fica no município de Araraquara, enquanto a vila ferroviária da Cia. Paulista ficava em Ibaté, próxima à divisa. É ainda uma das grandes usinas do Estado, mas, como todas as fazendas, é totalmente mecanizada e o número de trabalhadores é reduzidíssimo, não havendo motivos para se manter todos os prédios; como conseqüência, eles são geralmente demolidos ou abandonados. Fontes: Rodrigo Cabredo, São Paulo, SP; Claudete, de Araraquara, que nasceu e viveu na Tamoio até 1979, quando os proprietários ainda eram os Silva Gordo.


A direita, em foto de outubro de 2005, uma locomotiva que trabalhou na usina e também depois na Usina Monte Alegre - que era do mesmo proprietário, os Morganti - posando numa praça em Guarulhos, depois de ter sido "salva" de um sucateiro anos atrás. Trata-se de uma locomotiva fabricada na usina Monte Alegre, configuração 2-6-4ST de bitola métrica (Foto Ralph M. Giesbrecht).(Net)

2 comentários:

Anônimo disse...

Ronco, já existiu um ramal ferroviário saindo da Usina Tamoio vindo até Guarapiranga para o transporte de cana de açúcar. a estação ou ponto final desse ramal era na saída de Guarapiranga para Araraquara onde há pouco tempo atrás havia uma granja de porcos, lá nesse local ainda tem as estruturas metálicas da cobertura da referida granja. Pode ser que alguém de Guarapiranga possua alguma foto do local da época. Elizeu Padovan

Maria Beatriz disse...

Pedro, muito bem feito esse seu comentário sobre Tamoyo, Monte Alegre e Guatapará. Nós fomos ver essa locomotiva que está em Guarulhos!!!!!!!!!Bjs.